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Poema

Saudade - Augusto dos Anjos

Hoje que a mágoa me apunhala o seio, 
E o coração me rasga atroz, imensa, 
Eu a bendigo da descrença em meio, 
Porque eu hoje só vivo da descrença. 


Saudade - Augusto dos Anjos - Poema

Hoje que a mágoa me apunhala o seio, 
E o coração me rasga atroz, imensa, 
Eu a bendigo da descrença em meio, 
Porque eu hoje só vivo da descrença. 

À noite quando em funda soledade 
Minh’alma se recolhe tristemente, 
Pra iluminar-me a alma descontente, 
Se acende o círio triste da Saudade. 

E assim afeito às mágoas e ao tormento, 
E à dor e ao sofrimento eterno afeito, 
Para dar vida à dor e ao sofrimento, 

Da saudade na campa enegrecida 
Guardo a lembrança que me snagra o peito, 




Mas que no entanto me alimenta a vida. 



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