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Poema

Vozes de um túmulo - Augusto dos Anjos

Morri! E a Terra — a mãe comum — o brilho 
Destes meus olhos apagou!... Assim 
Tântalo, aos reais convivas, num festim, 
Serviu as carnes do seu próprio filho! 


Vozes de um túmulo - Augusto dos Anjos - Poema

Morri! E a Terra — a mãe comum — o brilho 
Destes meus olhos apagou!... Assim 
Tântalo, aos reais convivas, num festim, 
Serviu as carnes do seu próprio filho! 

Por que para este cemitério vim?! 
Por quê?! Antes da vida o angusto trilho 
Palmilhasse, do que este que palmilho 
E que me assombra, porque não tem fim! 

No ardor do sonho que o fronema exalta 
Construí de orgulho ênea pirâmide alta... 
Hoje, porém, que se desmoronou 

A pirâmide real do meu orgulho, 
Hoje que apenas sou matéria e entulho 




Tenho consciência de que nada sou! 



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