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Poema

Majestade Caída - Cruz e Sousa

Esse cornoide deus funambulesco 
Em torno ao qual as Potestades rugem, 
Lembra os trovões, que tétricos estrugem, 
No riso alvar de truão carnavalesco. 


Majestade Caída - Cruz e Sousa - Poema

Esse cornoide deus funambulesco 
Em torno ao qual as Potestades rugem, 
Lembra os trovões, que tétricos estrugem, 
No riso alvar de truão carnavalesco. 

De ironias o momo picaresco 
Abre-lhe a boca e uns dentes de ferrugem, 
Verdes gengivas de ácida salsugem 
Mostra e parece um Sátiro dantesco. 

Mas ninguém nota as cóleras horríveis, 
Os chascos, os sarcasmos impassíveis 
Dessa estranha e tremenda Majestade. 

Do torvo deus hediondo, atroz, nefando, 
Senil, que embora, rindo, está chorando 
Os Noivados em flor da Mocidade! 



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