João da Cruz e Sousa - Broquéis - 06 - Lubricidade





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 06 - Lubricidade


Quisera ser a serpe venenosa

Que dá-te medo e dá-te pesadelos

Para envolverem, ó Flor maravilhosa,

Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.


Quisera ser a serpe veludosa

Para, enroscada em múltiplos novelos,

Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa

E babujá-los e depois mordê-los...


Talvez que o sangue impuro e flamejante

Do teu lânguido corpo de bacante,

Da langue ondulação de águas do Reno


Estranhamente se purificasse...

Pois que um veneno de áspide vorace

Deve ser morto com igual veneno...



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 06 - Lubricidade

Conteúdo correspondente: