João da Cruz e Sousa - Broquéis - 17 - Encarnação





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 17 - Encarnação


Carnais, sejam carnais tantos desejos,

Carnais, sejam carnais tantos anseios,

Palpitações e frêmitos e enleios,

Das harpas da emoção tantos arpejos...


Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,

A noite, ao luar, intumescer os seios

Lácteos, de finos e azulados veios

De virgindade, de pudor, de pejos...


Sejam carnais todos os sonhos brumos

De estranhos, vagos, estrelados rumos

Onde as Visões do amor dormem geladas...


Sonhos, palpitações, desejos e ânsias

Formem, com claridades e fragrâncias,

A encarnação das lívidas Amadas!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 17 - Encarnação

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