João da Cruz e Sousa - Broquéis - 19 - Noiva da Agonia





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 19 - Noiva da Agonia


Trêmula e só, de um túmulo surgindo,

Aparição dos ermos desolados,

Trazes na face os frios tons magoados,

De quem anda por túmulos dormindo...


A alta cabeça no esplendor, cingindo

Cabelos de reflexos irisados,

Por entre aureolas de clarões prateados,

Lembras o aspecto de um luar diluindo...


Não és, no entanto, a torva Morte horrenda,

Atra, sinistra, gélida, tremenda,

Que as avalanches da Ilusão governa...


Mas ah! és da Agonia a Noiva triste

Que os longos braços lívidos abriste

Para abraçar-me para a Vida eterna!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 19 - Noiva da Agonia

Conteúdo correspondente: