João da Cruz e Sousa - Broquéis - 22 - Beleza Morta





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 22 - Beleza Morta


De leve, louro e enlanguescido helianto

Tens a flórea dolência contristada...

Há no teu riso amargo um certo encanto

De antiga formosura destronada.


No corpo, de um letárgico quebranto,

Corpo de essência fina, delicada,

Sente-se ainda o harmonioso canto

Da carne virginal, clara e rosada.


Sente-se o canto errante, as harmonias

Quase apagadas, vagas, fugidias

E uns restos de clarão de Estrela acesa...


Como que ainda os derradeiros haustos

De opulências, de pompas e de faustos,

As relíquias saudosas da beleza.



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 22 - Beleza Morta

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