João da Cruz e Sousa - Broquéis - 25 - Judia





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 25 - Judia


Ah! Judia! Judia impenitente!

De erma e de turva região sombria

De areia fulva, bárbara, inclemente,

Numa desolação, chegaste um dia...


Través o céu mais tórrido, mais quente,

Onde a luz mais flamívoma radia,

A voz dos teus, nostálgica, plangente,

Vibrou, chorou, clamou por ti, Judia!


Ave de melancólicos mistérios,

Ruflaste as asas por Azuis sidérios,

Ébria dos vícios célebres que salvam...


Para alguns corações que ainda te buscam

És como os sóis que rútilos coruscam

E a torva terra do deserto escalvam!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 25 - Judia

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