João da Cruz e Sousa - Broquéis - 26 - Velhas Tristezas





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 26 - Velhas Tristezas


Diluências de luz, velhas tristezas

Das almas que morreram para a lute!

Sois as sombras amadas de belezas

Hoje mais frias do que a pedra bruta.


Murmúrios incógnitos de gruta

Onde o Mar canta os salmos e as rudezas

De obscuras religiões -- voz impoluta

De sodas as titânicas grandezas.


Passai, lembrando as sensações antigas,

Paixões que foram já dóceis amigas,

Na luz de eternos sóis glorificadas.


Alegrias de há tempos! E hoje e agora,

Velhas tristezas que se vão embora

No poente da Saudade amortalhadas!...



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 26 - Velhas Tristezas

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