João da Cruz e Sousa - Broquéis - 45 - Acrobata da Dor





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 45 - Acrobata da Dor


Gargalha, ri, num riso de tormenta,

Como um palhaço, que desengonçado,

Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado

De uma ironia e de uma dor violenta.


Da gargalhada atroz, sanguinolenta,

Agita os guizos, e convulsionado

Salta, gavroche, salta clown, varado

Pelo estertor dessa agonia lenta...


Pedem-te bis e um bis não se despreza!

Vamos! retesa os músculos, retesa

Nessas macabras piruetas d'aço...


E embora caias sobre o chão, fremente,

Afogado em teu sangue estuoso e quente

Ri! Coração, tristíssimo palhaço.



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 45 - Acrobata da Dor

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