João da Cruz e Sousa - Broquéis - 47 - Lembranças Apagadas





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 47 - Lembranças Apagadas


Outros, mais do que o meu, finos olfatos,

Sintam aquele aroma estranho e belo

Que tu, ó Lírio lânguido, singelo,

Guardaste nos teus íntimos recatos.


Que outros se lembrem dos sutis e exatos

Traços, que hoje não lembro e não revelo

E se recordem, com profundo anelo,

Da tua voz de siderais contatos...


Mas eu, para lembrar mortos encantos,

Rosas murchas de graças e quebrantos,

Linhas, perfil e tanta dor saudosa,


Tanto martírio, tanta mágoa e pena,

Precisaria de uma luz serene,

De uma luz imortal maravilhosa!...



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 47 - Lembranças Apagadas

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