João da Cruz e Sousa - Broquéis - 51 - Incensos





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 51 - Incensos


Dentre o chorar dos trêmulos violinos,

Por entre os sons dos órgãos soluçantes

Sobem nas catedrais os neblinantes

Incensos vagos, que recordam hinos...


Rolos d'incensos alvadios, finos

E transparentes, fulgidos, radiantes,

Que elevam-se aos espaços, ondulantes,

Em Quimeras e Sonhos diamantinos.


Relembrando turíbulos de prata

Incensos aromáticos desata

Teu corpo ebúrneo, de sedosos flancos.


Claros incensos imortais que exalam,

Que lânguidas e límpidas trescalam

As luas virgens dos teus seios brancos.



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 51 - Incensos

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