João da Cruz e Sousa - Broquéis - 53 - Tortura Eterna





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 53 - Tortura Eterna


Impotência cruel, ó vã tortura!

Ó Força inútil, ansiedade humana!

Ó círculos dantescos da loucura!

Ó luta, Ó luta secular, insana!


Que tu não possas, Alma soberana,

Perpetuamente refulgir na Altura,

Na Aleluia da Luz, na clara Hosana

Do Sol, cantar, imortalmente pura.


Que tu não posses, Sentimento ardente,

Viver, vibrar nos brilhos do ar fremente,

Por entre as chamas, os clarões supernos.


Ó Sons intraduzíveis, Formas, Cores!...

Ah! que eu não possa eternizar as cores

Nos bronzes e nos mármores eternos!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 53 - Tortura Eterna

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