Castro Alves - Os Escravos - 13 - Canção do violeiro




Castro Alves - Os Escravos - 13 - Canção do violeiro


Passa, ó vento das campinas,

Leva a canção do tropeiro.

Meu coração 'stá deserto,

'Stá deserto o mundo inteiro.

Quem viu a minha senhora

Dona do meu coração?


Chora, chora na viola,

Violeiro do sertão.

Ela foi-se ao pôr da tarde

Como as gaivotas do rio.

Como os orvalhos que descem

Da noite num beijo frio,


O cauã canta bem triste,

Mais triste é meu coração.

Chora, chora na viola,

Violeiro do sertão.

E eu disse: a senhora volta

Com as flores da sapucaia.


Veio o tempo, trouxe as flores,

Foi o tempo, a flor desmaia.

Colhereira, que além voas,

Onde está meu coração?

Chora, chora na viola,

Violeiro do sertão.


Não quero mais esta vida,

Não quero mais esta terra.

Vou procurá-la bem longe,

Lá para as bandas da serra.

Ai! triste que eu sou escravo!

Que vale ter coração?

Chora, chora na viola,

Violeiro do sertão.


Os Escravos é uma coleção de poemas do escritor brasileiro Castro Alves com temática centrada no drama da exploração dos escravos. Em função de sua renhida luta pelo fim da escravidão no Brasil, este poeta ficou conhecido como Poeta dos Escravos. Este volume, publicado postumamente em 1883, recolhe muitos dos poemas que tornaram Castro Alves um símbolo da luta dos que não tem voz, como lembra Pablo Neruda em poema dedicado a Alves: em portas até então fechadas para que, combatendo, a liberdade entrasse.



 Castro Alves - Os Escravos - 13 - Canção do violeiro

Conteúdo correspondente: