Castro Alves - Os Escravos - 27 - O sol e o povo




Castro Alves - Os Escravos - 27 - O sol e o povo


Le peuple a sa colére et le volcan sa lave.

V. HUGO


Ya desatado

El horrendo huracán silba contigo

¿ Qué muralla, qué abrigo

Bastaran contra ti?

M. QUINTANA


O sol, do espaço Briaréu gigante,

P’ra escalar a montanha do infinito,

Banha em sangue as campinas do levante.

Então em meio dos Saarás — o Egito

Humilde curva a fronte e um grito errante

Vai despertar a Esfinge de granito.


O povo é como o sol! Da treva escura

Rompe um dia co’a destra iluminada,

Como o Lázaro, estala a sepultura!...

Oh! temei-vos da turba esfarrapada,

Que salva o berço à geração futura,

Que vinga a campa à geração passada.


Os Escravos é uma coleção de poemas do escritor brasileiro Castro Alves com temática centrada no drama da exploração dos escravos. Em função de sua renhida luta pelo fim da escravidão no Brasil, este poeta ficou conhecido como Poeta dos Escravos. Este volume, publicado postumamente em 1883, recolhe muitos dos poemas que tornaram Castro Alves um símbolo da luta dos que não tem voz, como lembra Pablo Neruda em poema dedicado a Alves: em portas até então fechadas para que, combatendo, a liberdade entrasse.



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