Luís Vaz de Camões - Soneto 117 - Quando Cuido no Tempo que, Contente





Luís Vaz de Camões - Soneto 117 - Quando Cuido no Tempo que, Contente


Quando cuido no tempo, que contente

Vi as pérolas, neve, rosa e ouro,

Como quem vê por sonhos um tesouro,

Parece tenho tudo aqui presente:


Mas tanto que se passa este acidente,

E vejo o quão distante de vós mouro,

Temo quanto imagino por agouro,

Porque de imaginar também me ausente:


Já foram dias, em que por ventura

Vos vi, Senhora, se assim dizendo posso

Com o coração seguro estar sem medo:


Agora em tanto mal não mo assegura

A própria fantasia, e nojo vosso:

Eu não posso entender este segredo.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 117 - Quando Cuido no Tempo que, Contente

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