Luís Vaz de Camões - Soneto 12 - Vossos Olhos, Senhora, Que Competem





Luís Vaz de Camões - Soneto 12 - Vossos Olhos, Senhora, Que Competem


Vossos olhos, Senhora, que competem

Com o sol em belleza e claridade,

Enchem os meus de tal suavidade,

Que em lagrimas de vê-los se derretem.


Meus sentidos prostrados se submetem

Assi cegos a tanta magestade;

E da triste prisão, da escuridade,

Cheios de medo, por fugir, remetem.


Porém se então me vêdes por acêrto,

Esse aspero desprêzo com que olhais

Me torna a animar a alma enfraquecida.


Oh gentil cura! Oh estranho desconcêrto!

Que dareis co'hum favor que vós não dais,

Quando com hum desprêzo me dais vida?




 Luís Vaz de Camões - Soneto 12 - Vossos Olhos, Senhora, Que Competem

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