Luís Vaz de Camões - Soneto 135 - Quando se Vir com Água o Fogo Arder





Luís Vaz de Camões - Soneto 135 - Quando se Vir com Água o Fogo Arder


Quando se vir com água o fogo arder,

Juntar-se ao claro dia a noite escura,

E a terra collocada lá na altura

Em que se vem os ceos prevalecer;


Quando Amor á Razão obedecer,

E em todos for igual huma ventura,

Deixarei eu de ver tal formosura,

E de a amar deixarei depois de a ver.


Porém não sendo vista esta mudança

No mundo, porque, em fim, não póde ver-se,

Ninguem mudar-me queira de querer-vos.


Que basta estar em vós minha esperança,

E o ganhar-se a minha alma, ou o perder-se,

Para dos olhos meus nunca perder-vos.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 135 - Quando se Vir com Água o Fogo Arder

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