Luís Vaz de Camões - Soneto 139 - Quando, Senhora, Quis Amor que Amasse





Luís Vaz de Camões - Soneto 139 - Quando, Senhora, Quis Amor que Amasse


Quando, Senhora, quis Amor que amasse

essa grã perfeição e gentileza,

logo deu por sentença que a crueza

em vosso peito amor acrescentasse.


Determinou que nada me apartasse:

nem desfavor cruel, nem aspereza;

mas que em minha raríssima firmeza

vossa isenção cruel se executasse.


E pois tendes aqui oferecida

esta alma vossa a vosso sacrifício,

acabai de fartar vossa vontade.


Não lhe alargueis, Senhora, mais a vida;

acabará morrendo em seu ofício,

sua fé defendendo e lealdade.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 139 - Quando, Senhora, Quis Amor que Amasse

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