Luís Vaz de Camões - Soneto 17 - Quem Ve, Senhora, Claro e Manifesto





Luís Vaz de Camões - Soneto 17 - Quem Ve, Senhora, Claro e Manifesto


Quem vê Senhora, claro e manifesto

O lindo ser de vossos olhos belos,

Se não perder a vista só em vê-los,

Já não paga o que deve a vosso gesto.


Este me parecia preço honesto;

Mas eu, por de vantagem merecê-los,

Dei mais a vida e alma por querê-los,

Donde já me não fica mais de resto.


Assim que alma, que vida, que esperança,

E que quanto for meu, é tudo vosso:

Mas de tudo o interesse eu só o levo.


Porque é tamanha bem-aventurança

O dar-vos quanto tenho, e quanto posso,

Que quanto mais vos pago, mais vos devo.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 17 - Quem Ve, Senhora, Claro e Manifesto

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