Luís Vaz de Camões - Soneto 42 - Amor, que o Gesto Humano Nalma Escreve





Luís Vaz de Camões - Soneto 42 - Amor, que o Gesto Humano Nalma Escreve


Amor, que o gesto humano n'alma escreve,

Vivas faíscas me mostrou um dia,

Donde um puro cristal se derretia

Por entre vivas rosas e alva neve.


A vista, que em si mesma não se atreve,

Por se certificar do que ali via,

Foi convertida em fonte, que fazia

A dor ao sofrimento doce e leve.


Jura Amor que brandura de vontade

Causa o primeiro efeito; o pensamento

Endoudece, se cuida que é verdade.


Olhai como Amor gera, num momento

De lágrimas de honesta piedade,

Lágrimas de imortal contentamento.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 42 - Amor, que o Gesto Humano Nalma Escreve

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