Luís Vaz de Camões - Soneto 58 - A Morte, que da Vida o no Desata





Luís Vaz de Camões - Soneto 58 - A Morte, que da Vida o no Desata


A Morte, que da vida o nó desata,

Os nós, que dá o Amor, cortar quisera

Com a ausência, que é sobre ele espada fera,

E com o tempo, que tudo desbarata.


Duas contrárias, que uma a outra mata,

A Morte contra o Amor junta e altera;

Uma é Razão contra a Fortuna austera,

Outra, contra a Razão, Fortuna ingrata.


Mas mostre a sua imperial potência

A Morte em apartar de um corpo a alma,

O Amor num corpo duas almas una;


Para que assim triunfante leve a palma

Da Morte Amor a grão pesar da ausência,

Do Tempo, da Razão e da Fortuna.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 58 - A Morte, que da Vida o no Desata

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