Luís Vaz de Camões - Soneto 99 - No Tempo que de Amor Viver Soia





Luís Vaz de Camões - Soneto 99 - No Tempo que de Amor Viver Soia


No tempo que de amor viver sohia,

Nem sempre andava ao remo ferrolhado;

Antes agora livre, agora atado,

Em várias flammas variamente ardia.


Que ardesse n'hum só fogo não queria

O Ceo porque tivesse exprimentado

Que nem mudar as causas ao cuidado

Mudança na ventura me faria.


E se algum pouco tempo andava isento,

Foi como quem co'o pêzo descansou

Por tornar a cansar com mais alento.


Louvado seja Amor em meu tormento,

Pois para passatempo seu tomou

Este meu tão cansado soffrimento!




 Luís Vaz de Camões - Soneto 99 - No Tempo que de Amor Viver Soia

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